O aeroporto é um elo de logística importante

Para melhorar o entendimento do que pretendo expor sobre infra-estrutura, falarei aqui sobre alguns conceitos da informática. Vou chamar a infra-estrutura física de hardware e a logística da infra-estrutura de software. As duas são independentes. Quanto ao primeiro aspecto, a infra-estrutura física, gostaria de chamar a atenção dos senhores para uma revolução silenciosa que ocorre há cinco anos no Brasil.
Depois de quase uma década e meia sem investimentos na infra-estrutura física, com as privatizações, o governo brasileiro cedeu espaço à iniciativa privada, possibilitando que de certa forma se desatasse o nó dos investimentos.

Investimentos
Um exemplo é a infra-estrutura de transportes, e aí eu mencionaria as hidrovias, ferrovias, rodovias e portos, que foram totalmente privatizados e hoje, após cinco anos, vêm recebendo significativos investimentos. Para se ter uma idéia, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento e Social) financiou nesses cinco anos cerca de 20 bilhões de dólares, sem contar os investimentos privados que foram colocados diretamente com capital ou empréstimos tomados no exterior. Esta revolução silenciosa, coloca hoje a infra-estrutura brasileira de transportes em condições de recuperação.
Os senhores devem lembrar que há pouco mais de cinco anos, as principais rodovias brasileiras, tinham como exemplo, um paradigma do próprio estado brasileiro: não havia recursos e elas estavam sem possibilidades de modernização e recuperação. A via Dutra, que liga os dois principais mercados do país, estava totalmente superada há pouco tempo. Essas principais rodovias foram recuperadas e as ferrovias estão recebendo investimentos; as hidrovias funcionam bastante bem, algumas já consolidadas, como o Porto Madeira, outras em consolidação, como Tietê/Paraná, Tocantins e assim por diante. Os portos, com a possibilidade da privatização, e o surgimento de terminais privados de cargas estão possibilitando que essa infra-estrutura seja recuperada com bastante rapidez no país.
Sobre o segundo aspecto, o da logística ou do software, como prefiro chamar, ou da gestão dessa infra-estrutura, eu tenho a impressão de que hoje, nós começamos também a dar os primeiros passos dessa revolução, a partir da criação do pólo da logística integrada aqui no âmbito da Camex (Câmara de Comércio Exterior), sob a orientação da Associação dos Exportadores Brasileiros. Essa infra-estrutura será fundamental para que o Brasil gere competitividade no acesso ao mercado.

Desenvolvimento
Quero também mencionar o aspecto que hoje me toca mais de perto na infra-estrutura: a questão dos aeroportos. Aproveito para chamar atenção a uma mudança radical no enfoque da gestão desses aeroportos. A Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) deixa de ser uma empresa voltada para a operação do avião e passa a concentrar seu foco nos clientes, identificando como clientes as pessoas, passageiros ou as pessoas que de um modo geral usam o aeroporto como um espaço empresarial para comércio ou desenvolvimento de negócios.
E o nosso cliente carga? Hoje, a Infraero vai se integrar com todos os outros modais de transporte, buscar se integrar com a comunidade empresarial, com a comunidade local próxima ao aeroporto no sentido de fazer do aeroporto um elo de logística importante, que se integre numa gestão com os demais métodos de logística brasileiros.
Aqui vale também uma observação, sobre a importância crescente dos aeroportos no mundo moderno. A partir do atual desenvolvimento da tecnologia e da globalização dos mercados, a carga aérea passa a ser cada vez mais, a carga mais importante. Cada vez mais as riquezas das nações, tanto exportáveis como importadas, passam pelos aeroportos. A globalização do mercado coloca a competitividade no seu sentido mais extremado, onde as empresas não podem se dar ao luxo de manter estoques, onde os mercados globais são mercados muito maiores do que os antigos, inclusive, geograficamente e onde nesse contexto os aeroportos passam a ser absolutamente estratégicos, no desenvolvimento econômico de uma país.

Economia
O aeroporto deixa de ser um centro operador de aviões para ter um enfoque de fator de desenvolvimento econômico absolutamente relevante, para não dizer indispensável num mundo globalizado.
A Infraero vem desenvolvendo, por intermédio de acordos e parcerias, uma série de medidas importantes, que envolvem os governos estaduais e a Receita Federal, todas voltadas para melhorar o atendimento do nosso cliente de carga aérea. Desenvolvemos alguns produtos extremamente competitivos, como a Linha Azul e a Linha Rápida e, agora mais recentemente, um produto anunciado pelo ministro Alcides Tápias, o Aeroporto Industrial.
Essa percepção de aeroporto fará dele um importante alavancador de grande parte do desenvolvimento econômico do Brasil e certamente será um equipamento fundamental para obtermos rapidamente, com a estabilidade econômica, que felizmente conseguimos, e com essa perspectiva a longo prazo, um crescimento sustentável.

fev/2001

Fernando Perrone,
Presidente da Infraero
(Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária)

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