MINCEX-MINISTÉRIO DE COMÉRCIO EXTERIOR, FINALMENTE?

O Brasil, e em especial o governo, parecem ter, afinal, acordado de fato de um sono profundo em berço esplêndido e descoberto uma das maravilhas da natureza, do comércio e da globalização: o Comércio Exterior.
Ao que tudo indica, também, nesta nova era, temos, finalmente, o instrumento que há anos vimos insistindo na criação, que é o nosso MINCEX-Ministério de Comércio Exterior, só que ainda, provavelmente por razões políticas, com o nome de CAMEX. Com certeza é apenas uma questão de tempo. O ministro já temos.
Qual a importância de tal instrumento, um ministério apenas para cuidar desta importante área, sem dúvida uma das molas propulsoras do desenvolvimento econômico, com a criação de empregos embutido, e necessário para integração de um país na comunidade internacional, mormente em tempos de um mundo sem fronteiras?
Talvez não fosse de muita importância para outros países, mormente aqueles que participam com um percentual razoável de seu PIB, e mais ainda de uma fatia considerável deste comércio, mas é de fundamental importância para um país cujo percentual exportado de seu PIB é de cerca de 10%, e sua participação no comércio mundial é de cerca de 0,8%, uma verdadeira migalha do bolo da festa das transações internacionais, e muito aquém do que podemos fazer.
Para o Brasil, no entanto, parece-me fundamental já que a história tem mostrado que o comércio exterior nunca gozou de um prestígio a altura das suas potencialidades, principalmente de reconhecido potencial de celeiro do mundo com o maior território mundial disponível para a produção de alimentos.
Isto porque, tradicionalmente, sempre fomos um país fechado para o mundo, cuja economia só foi aberta no início da década de noventa. Também porque, principalmente, nunca houve o que pode ser denominado de uma verdadeira política de comércio exterior, já que tínhamos vários remadores no mesmo barco, cada um remando para um lado, seguindo seu próprio interesse, sem uma coordenação que orientasse o caminho a seguir.
Além do que, e isto ainda pode ser constatado, até há pouco tempo não tínhamos no governo homens do comércio exterior, ou seja, quem o faz, trabalhando e preocupando-se com o assunto. Tudo que tínhamos eram exportadores implorando ao governo as condições mínimas para podermos exportar, enquanto este não conseguia ver o alcance e a importância da atividade.
Hoje temos no governo, embora poucos, importantes personagens que efetivamente fazem comércio exterior, e uma delas na importante posição de secretário-executivo da Camex-Câmara de Comércio Exterior, o que significa não apenas palpitar, mas fazer.
Está claro que parece que o país, finalmente, optou pela lógica de juntar numa única área todos os esforços para fazer comércio exterior. Só não o fez ainda sob o guarda-chuva de um Ministério, o que representaria uma guinada muito forte num país tradicionalmente fechado. No entanto, parece claro que a sua criação não é mais do que uma questão de tempo, principalmente com o upgrade que a CAMEX sofreu no início deste novo milênio. Ao atual detentor da cadeira, como já ficou claro, só falta o título de ministro, já que status já tem, bem como maior poder para decidir e fazer política de comércio exterior, utilizando este instrumento da maneira mais conveniente para as pretensões do país.
Um ministério sempre pode influenciar mais os destinos do país em direção ao mercado externo, o que não ocorre com vários ministérios participando da área, cada um com seus próprios pensamentos e horizontes.
Um ministério pode, inclusive, ter mais força para a criação de vários instrumentos ágeis e eficazes em direção ao esforço exportador, e gostaríamos de retornar a sugerir um Banco de Negócios nos moldes propostos em artigo sobre o assunto, em 1999, alavancando o comércio exterior com os países que tenham interesse em comprar, mas ao mesmo tempo também em vender, mas que não encontrem na iniciativa privada o interesse naquelas compras ou nas trocas de produtos pura e simplesmente.
Só esperamos que o país não recue naquilo que parece ser o maior avanço em sua história, nesta área, para retornar a sonhar com os 100 bilhões de dólares. Agora, a meta começa a ser factível e apresenta chances de ser alcançada, embora certamente não dentro dos planos iniciais, que era 2002. Mas isto não importa e 2003 ou 2004 é um excelente horizonte.

set/2000

Samir Keedi,
Professor universitário,
autor do livro Transportes e seguros no comércio exterior,
e tradutor do Incoterms 2000.

samir@aduaneiras.com.br

Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .