Abastecimento da Produção:
Responsabilidade da Produção ou do Almoxarifado?

No contexto de competitividade global que vivemos nos dias de hoje, a racionalização e otimização de todas as atividades que não agregam valor aos produtos é cada vez mais intensa em nossas empresas.
Dentre estas atividades, encontramos várias, tais como: movimentação, estocagem, espera, transferência e manuseio, entre inúmeras outras que apenas agregam custo ao produto e nenhum valor do ponto de vista do cliente.
Logo, estas atividades se transformaram em verdadeiros focos de racionalização nas empresas, onde eliminá-las significa minimizar os custos e, consequentemente, aumentar a produtividade, tornando a empresa mais competitiva.
O que encontramos entretanto, são muitas empresas que atacam as perdas/ custos de maneira isolada, onde os ganhos de produtividade aparecem somente em áreas ou setores isolados, independente dos ganhos globais.
Isto se deve, em muitos casos, à determinação de indicadores de desempenho de atividades e setores da empresa (produção, manutenção e almoxarifados, entre outros) independente destes estarem ou não em conformidade com os Indicadores Globais do Negócio (por exemplo: Lucro Líquido, Retorno sobre Investimentos, Fluxo de Caixa, entre outros).
Inclusive, muitas vezes, tais indicadores são utilizados como critério de distribuição de resultados e premiações entre os integrantes de uma determinada equipe.
Então, o que podemos esperar que aconteça com uma atividade como o Abastecimento de Produção?
O que podemos observar atualmente é que a atividade de abastecimento da produção se configura como a interface operacional entre a Produção e Suprimentos/ Materiais e não agrega nenhum valor ao produto.
Sendo assim, notamos alguns conflitos dentro das empresas, a respeito de quem deve assumir a responsabilidade de abastecer a produção. Em muitas empresas, a área de almoxarifado entende que deve apenas disponibilizar os materiais em locais de fácil acesso, para que a produção separe-os conforme a necessidade, e em outras a Produção entende que os materiais devem estar disponíveis no Posto de Trabalho e prontos para a utilização.
Quem tem razão?
Por princípio, como a atividade de movimentação de materiais não agrega valor ao produto, ela deve ser a mais racional possível. Porém, isto não quer dizer que o Almoxarifado deve abrir mão do abastecimento da produção, pelo contrário, cada vez mais podemos notar que as atividades de movimentação e armazenagem dentro das empresas estão se tornando prestadoras de serviços, movimentando os materiais "de e para" algum lugar.
Ou seja, o Almoxarifado deve assumir uma postura de prestador de serviços para justificar a sua existência, já que o mesmo não agrega valor ao produto. Porém, é claro que o mesmo pode administrar esta prestação de serviço a um custo muito elevado ou com um baixo custo.
A racionalização dos custos deste serviço deve ser um eterno desafio e neste ponto o Almoxarifado dependerá muito não só da Produção, seu cliente, mas também de seus fornecedores, pois as boas soluções são encontradas em conjunto, analisando toda a Cadeia de Suprimentos de forma integrada.

Dentre as possíveis soluções/ oportunidades que podemos observar visando a racionalização destas atividades, incluem-se:
1- Utilização de tempos ociosos planejados do pessoal da produção, visando o abastecimento da produção;
2- Desenvolver sistemas de comunicação (visual, eletrônica, ...) alertando sobre as necessidades da produção;
3- Desenvolver, em conjunto com os fornecedores e clientes do Almoxarifado, embalagens padrões que propiciem um fluxo de materiais racional;
4- Utilizar tempos ociosos, planejados ou não, do pessoal do Almoxarifado, preparando e planejando as atividades/ serviços futuros;
5- Utilizar diferentes sistemas de movimentação e abastecimento para itens com diferentes características de fluxo;
6- Prover um adequado Sistema de Identificação e Endereçamento desde o recebimento de materiais até o posto de trabalho;
7- Padronizar os procedimentos operacionais de abastecimento de linha;
8- Manter a acuracidade dos saldos de estoques acima de 98% e investigar sistematicamente as causas de eventuais divergências;
9- Acompanhar sistematicamente o Nível de Serviço, ajustando os parâmetros de materiais;
10- Acompanhar os itens de baixíssimo giro de estoque, visando adequações dos procedimentos operacionais, entre outros.

Eduardo Banzato,
gerente da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
Tel. (0--11) 5575 1400          imam@imam.com.br

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