A importância da análise ergonômica

O objetivo da análise ergonômica é determinar os fatores que contribuem para uma sub ou sobre carga de trabalho da população analisada, buscando informações de como ela se ressente dessa carga.
Segundo Sperandio, J. C. em "Traité de Psycologie du Travail" (1987), carga de trabalho pode ser definida como "uma medida quantitativa ou qualitativa do nível de atividade (mental, sensitivo-motora, fisiológica, etc.) do operador e necessária à realização de uma determinada tarefa".
A carga não depende somente da quantidade do trabalho a ser realizado, mas está diretamente relacionada a uma série de fatores.
A carga de trabalho pode ser ressentida diferentemente por cada trabalhador, dependendo do seu grau de escolaridade, experiência, sexo, idade, entre outros aspectos. Dentro das empresas, existe uma série de fatores que influenciam na carga de trabalho com maior ou menor intensidade, tais como: aspectos relacionados com a organização do trabalho; espaço de trabalho; tecnologia e tipo de equipamentos; aspectos de segurança; relações interpessoais; e ambiência tóxica, térmica e vibratória. Na busca de situações de desconforto dos locais de trabalho, é importante a participação do trabalhador, pois é ele quem se ressente das condições de trabalho, é ele quem vivencia diariamente aquela situação e que sente no corpo os fatores que compõem a sua carga de trabalho.

Organização do trabalho  
Segundo o Manual de Utilização NR17 do Ministério do Trabalho, organizar, no sentido comum, é colocar uma certa ordem em um conjunto de recursos diversos, para fazer deles um instrumento ou uma ferramenta a serviço de uma vontade que busca a realização de um projeto.
A organização do trabalho pode ser caracterizada pelas modalidades de dividir as funções entre os operadores e as máquinas - é o problema da divisão do trabalho (Leplat & Cuny. "Introduction à la Psycologie du Travail", Paris, 1977). Ela define quem faz o que, como se faz e qual o tempo necessário para se fazer. É a divisão dos homens e das tarefas.
Dentro deste contexto de divisão dos homens e tarefas, é importante que a empresa tenha suas normas de produção bem definidas, ou seja, as normas que o trabalhador deve seguir para realizar determinado trabalho ou tarefa. Devem ficar claros os horários para realização do trabalho, a qualidade desejada, os equipamentos, bem como as ferramentas a serem utilizadas. Como no modo operatório nem tudo é previsto, pode ocorrer das normas não serem claras e levarem o trabalhador a um estado constante de incertezas. Estas incertezas aumentarão quando as exigências de qualidade se somarem às de quantidade. Ao se realizar uma análise ergonômica, estas incertezas ficam evidentes.
Outros três fatores importantes nos aspectos de organização do trabalho são: o modo operatório, a exigência do tempo e o ritmo de trabalho.
O modo operatório é a maneira como as atividades ou os trabalhos devem ser executados; a exigência do tempo, significa o quanto deve ser produzido em um determinado tempo; e o ritmo é a maneira como as cadências dos movimentos são ajustados ou arranjados. Uma análise ergonômica coloca em evidência os vários modos operatórios possíveis, legitimando os mais confortáveis e, propondo mudanças nos meios e equipamentos, objetivando melhorar o conforto e a segurança do trabalhador. Avaliará se a exigência do tempo é ou não adequada, se não produzirá um esgotamento físico ou um estresse emocional no trabalhador e, se o ritmo é imposto ou livre. O ritmo pode ser imposto pela máquina ou linha de produção, e/ou ser livre, gerenciado pelo trabalhador. Cada caso deve ser analisado até que ponto induz ou não o trabalhador a uma auto-aceleração, expondo o mesmo à fadiga, lombalgias, tendinites, tenossinovites, entre outras situações prejudiciais.

agosto/2001

Antonio Francisco Abrantes,
Instrutor da IMAM para o curso "Ergonomia Industrial".
imam@imam.com.br  

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