A integração das embalagens dentro do sistema logístico

Embora discutidas separadamente, as três funções principais da embalagem complementam-se. Por exemplo, a unitização aumenta a proteção, melhora a produtividade e as cargas unitárias exigem marcações diferentes a partir de embalagens expedidas em volumes fracionados.
A natureza do sistema logístico determina como as funções da embalagem precisam ser executadas. Do ponto de vista das embalagens, existem pelo menos três tipos de sistemas logísticos. No primeiro tipo, as embalagens são movimentadas em cargas unitárias pelo sistema, devendo ser compatível com todos os métodos de movimentação e transporte do mesmo. No segundo tipo, as embalagens de embarque individual são movimentadas por todo o sistema e precisam funcionar isoladamente durante cada atividade. No terceiro tipo, exemplificada pelo setor alimentício e produtos de consumo, os materiais são movimentados em cargas unitárias para o nível do atacado e depois distribuidas individualmente ou em cargas mistas para os clientes. Neste caso, tanto a embalagem unitária quanto um contêiner de embarque precisam atender o desempenho funcional apropriado e facilitam a transição de separação de pedidos.
A embalagem não deve apenas oferecer proteção, utilidade e comunicação durante atividades logísticas específicas, mas também deve facilitar as transições em todo o processo. Nos sistemas logísticos, os produtos mudam de domínio e local e a embalagem precisa ser projetada para atender várias necessidades funcionais e usuários. Por exemplo, as embalagens podem minimizar o volume, bem como os custos de exposição e transporte.
Pelo sistema logístico, o projeto da embalagem deveria ser interligado para otimizar o custo, maximizar a produtividade e minimizar os danos e movimentação. Quanto mais complexo, maior a necessidade de estudar o sistema, seus métodos de movimentação, dimensões da instalação, fontes de avarias e necessidades de comunicação e promoção, antes de projetar embalagens, a fim de facilitar a integração.
Para muitos produtos, a embalagem determina o sistema necessário. Por exemplo, a embalagem determina a vida em prateleira de produtos perecíveis, o que determina a extensão necessária do ciclo logístico.
A necessidade de integração é um motivo porque os setores desenvolvem padrões. Dimensões padronizadas dos paletes facilitam a movimentação do produto entre empresas - uma diferença nas dimensões aumenta o custo logístico. As necessidades do sistema podem refletir pressões do setor, do ambiente e da legislação, bem como assuntos de segurança e ergonomia.
Veja como exemplo, a paletização de tijolos, que melhorou o processo de carregamento e descarregamento do caminhão em até 95% do tempo anteriormente gasto. Os resultados obtidos foram: maior segurança no processo, rapidez, disponibilidade maior do caminhão, aumento da eficiência logística e redução dos custos em até 60%.
Os padrões de identificação automática podem ajudar que as embalagens sejam compatíveis com os sistemas de informação das organizações participantes. Alguns sistemas dependem da embalagem para disparar o ponto de pedido, como no sistema Kanban, onde uma embalagem vazia devolvida avisa o fornecedor para despachar uma cheia. Outro exemplo é do varejo que usa os códigos de barras coletados no ponto de venda para transmitir eletronicamente pedidos para seu Centro de Distribuição.
A embalagem deve satisfazer e atender um conjunto ainda mais complexo de funções. Precisa ser mais resistente que as embalagens que percorrem curtas distâncias, especialmente se não for conteinerizada e for exposta a forças e choques mecânicos de movimentação no porto. Embalagens de exportação  frequentemente exigem maior movimentação e maior variação de temperatura e umidade. A redução do volume é mais importante para embalagens a longa distância. O tipo de jornada precisa ser considerado com identificação dos idiomas e símbolos necessários. As embalagens de exportação precisam corresponder às normas internacionais e regionais, pois a legislação varia entre países.
A embalagem para os países em desenvolvimento pode ter necessidades diferentes, já que frequentemente está sujeita às más condições de transporte e/ou estocagem, ficando expostas ao clima e a pragas. Alta umidade e temperatura nos trópicos podem ser muito prejudiciais, especialmente para alimentos. Em alguns países em desenvolvimento, estimativas de perdas de alimentos in natura variam de 40% a 60%, metade podendo ser evitado com embalagem apropriada.
A fim de facilitar a integração de embalagem com a logística, as habilidades dos profissionais de embalagem precisam divulgar os limites entre as disciplinas e entre as empresas. A responsabilidade da embalagem vai muito além de um único interesse da empresa transferir para as transportadoras, instalações de armazéns e clientes.
Por fim, queremos alertar a todas as empresas, que a verdadeira visão sistêmica de integração da embalagem no processo logístico, dependerá da qualidade do profissional empenhado e decidido a ser um pesquisador profundo, pois a embalagem de produtos deve ser tratada caso a caso, requerendo tempo, paciência, análise, protótipos e cuidados especiais, como se fosse uma criança, até atingir a integração total na cadeia logística.

abril/2001

José Maurício Banzato,
Diretor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
imam@imam.com.br

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