O Mercosul nos trilhos

Ainda que a infra-estrutura de transportes esteja se desenvolvendo no Mercosul, os investimentos nas ferrovias são pequenos. Em pouco tempo de vida pós-privatização, as malhas ferroviárias brasileiras ganharam novos dormentes, trilhos, vagões e extensões de linha. É bom, mas não é o suficiente para baixar o frete e competir com o maior modal latino americano: o rodoviário.
Para o embarcador ainda é mais confiável usar o caminhão, que ele já conhece bem, do que entregar suas cargas a um "novo" carregador. Hoje em dia, os trens levam relativamente mais tempo em percurso porta-a-porta e não apresentam custo-benefício. A carga chega na fronteira com a Argentina e o container tem de ser transbordado para outro vagão pois as linhas de um país não têm compatibilidade de tamanho com a do outro.
Sendo assim, o transporte por rodovias tem ganhado força para manter altos os níveis de frete. Por conta da ineficiência do transporte ferroviário, o que deveria ser um alimentador para uma logística integrada é o modal que percorre o mais longo percurso na entrega de cargas.
O transporte de container requer uma intermodalidade que ainda não existe e, infelizmente, isso é o que aumenta nosso Custo Brasil, o que cria gargalos, o que atrasa a competitividade internacional do Mercosul e de seus países membros, principalmente do Brasil que é o maior responsável pelo transporte ferroviário de cargas na América Latina.
Ainda estamos vendo todo o processo engatinhar. Para entrar nos trilhos, as ferrovias terão de receber maiores investimentos do setor privado - mais do que se tem investido. Isto inclui interligação com terminais alfandegados, adaptação de bitolas, encurtamento de percurso, redução de tempo de embarque e de tempo de trânsito. Ajustados os ponteiros, a ferrovia beneficiará o exportador que terá mais segurança e agilidade e poderá vender com o diferencial do just in time.
O fortalecimento do bloco depende muito desse sistema de distribuição que ainda não tem o foco do negócio e, assim, perde tempo tentando encontrar as soluções. Terá de haver um esforço geral, do lado das ferrovias, do lado do cliente e, principalmente, do governo para que se desenvolva uma veia exportadora no Brasil e no Mercosul. E rápido, antes que peguemos o bonde andando.


Priscilla de Paula,

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