REPETITION STRAIN INJURY (RSl):
AN EMBLEMATIC ILLNESS
RESUMO
As lesões ósteo-musculares dos membros superiores por esforços repetitivos
atribuídas ao trabalho (LER) são hoje a mais freqüente das doenças do trabalho nos
países precoce ou tardiamente industrializados. 0 autor sustenta que mais do que uma
doença do trabalho, as LER são um modo de adoecimento emblemático, revelador das
contradições e da patogenicidade social desse novo ciclo de desenvolvimento e crise do
modo de produção capitalista. Discutindo essa dimensão social e histórica maior,
insiste em que a baixa eficácia das intervenções técnicas no âmbito da engenharia, da
ergonomia ou da Medicina para a prevenção, diagnóstico e tratamento adequados e precoce
dessa doença da pós-modernidade e as dificuldades de reinserção dos adoecidos ou
ex-adoecidos no trabalho refletem, justamente, essa determinação mais abrangente externa
ao trabalho senso estrito, porque a apropriação, a incorporação e uso das inovações
tecnológicas e as novas formas de administração do trabalho se fazem no interesse
exclusivo do capital. Com isso, um contigente cada vez maior de trabalhadores jovens, a
maioria do gênero feminino, das mais diferentes categorias estão perdendo ou ameaçados
de perder a saúde e a capacidade de trabalho, bens públicos essenciais e intimamente
relacionados. A saída para resolver a questão da LER deve ser política e coletiva.
Palavras-chave: Lesões Esforços Repetitivos; Doenças Ocupacionais; Saúde da Mulher
ABSTRACT
Muscular-skeletal disorders of the upper limbs resulting from work involving
repetition strain (RSI) are now the most frequent work-related diseases in early or late
industrialized countries. The author maintains that in addition to being work-related
diseases, RSIs are symbolic illnesses revealing the contradictions and social pathogenesis
of the new cycle of development and crisis in capitalist production. Discussing the social
and historical dimensions of this process, the author insists that the low efficacy of
technical interventions by labor engineering, ergonomics, and clinical medicine in
the prevention, early and adequate diagnosis, and treatment of such post-modern illnesses
and the difficulty in rehabilitating and reincorporating such workers reflect precisely a
broader determination of health and illness, since the appropriation, incorporation, and
use of technological innovations and the new forms of work management are defined
according to the exclusive interests of capital. Thus, a growing contingent of young
workers (mainly females) from different labor categories are losing or under threat of
losing their health and work capacity, two essential and closely linked public values. The
solution to the SRl issue must be political and collective.
Key words: Repetition Strain Injury; Occupational Health; Womens Health
INTRODUÇÃO
As lesões pluri-tissulares dos membros superiores do aparelho locomotor,
atribuídas aos esforços repetitivos do trabalho (LER). são um modo de adoecimento
emblemático, revelador das contradições e patogenicidade desse novo ciclo de
desenvolvimento e crise do modo de produção capitalista, que uns chamam de
"capitalismo desorganizado" (Offe, 1990), outros, de "acumulação
flexível" (Harvey, 1994) e alguns, de "terceira revolução tecnológica"
ou industrial (Coutinho, 1992).
Seriam características do ciclo, entre outras: a concentração maior de capital
financeiro, que operações nos mercados de capital fazem extremamente volátil; a
flexibilidade da produção, com deslocamento da força de trabalho para o mercado
informal; a exploração mais intensiva da mão de obra formalmente empregada; a
incorporação acelerada da automação da produção; e novos padrões de consumo
de bens materiais, artísticos, culturais, estéticos, etc, quase tão voláteis como o
dinheiro, que imprimem e conformam comportamentos e valores muito diferentes dos ciclos ou
revoluções anteriores (Harvey, 1994).
Não é aqui o momento nem o lugar para discutir a primazia da ciência e da
tecnologia no desenvolvimento da sociedade, embora ordená-las assim, possa induzir a que
se Ihes debitem os efeitos perversos de sua apropriação privada e de sua incorporação
e uso abusivos, como são exemplos, no campo do trabalho, o desemprego, subemprego e a
informalidade crescente das relações de trabalho e, no campo da saúde, as LER. Enfim,
não creditemos ou debitemos ao conhecimento e às máquinas, os problemas humanos velhos
ou novos.
0 explosivo crescimento das LER, em todo o mundo industrializado e capitalista,
está ajudando a derrubar o mito de um mundo sem trabalho, como resultado da automação
fabril e dos serviços, posto que, ironicamente, se está adoecendo justamente das mãos,
por excesso de trabalho.
Hoje, se consome muito menos massa de horas de trabalho para produzir os mesmos
tipos e volumes de produtos que no final do século XlX, ou seja, se produz muitas
centenas de vezes mais do que se produzia há um século com um dispêndio
proporcionalmente muito menor de energia e trabalho humanos (Landes, 1994). A causa mais
aparente do fenômeno é a incorporação crescente das tecnologias de automação que, em
determinados períodos da história, tem sido tão rápida e simultânea, em vários ramos
estratégicos da produção, colocando a produtividade em patamares tão mais elevados que
sugere a ocorrência de verdadeiras revoluções. Sob essa ótica, estritamente
tecnológica, o capitalismo industrial, nos países centrais, teria passado por uma
segunda revolução, entre 1870 / 1890 e agora estaria vivenciando uma terceira,
iniciada nos anos cinqüenta e acelerada nos anos setenta do presente século.
Revoluções que, com atraso, se desdobram para os países periféricos (Cardoso de
Mello, 1992).
0 aumento extraordinário da produtividade industrial se deveu ao crescimento do
"trabalho morto" executado pelas máquinas, sempre o acompanhando novas formas
organizacionais e administrativas que elevam a intensidade do trabalho, quando não a
extensão da jornada, ou seja, aumentando a exploração do "trabalho vivo",
dentro da lógica e necessidade incessantes do capital se multiplicar (Marx, 1975).
Não é, portanto, de estranhar, apesar do crescimento fantástico da produção e
da produtividade em todos os setores da economia, que a jornada de trabalho, que na
segunda década do século tinha a duração de oito horas, passados oitenta anos, não
haja diminuído na maioria dos países, sem contar as habituais horas extras, até no mais
industrializado deles, os Estados Unidos (Navarro, 1995).
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
É muito antigo o conhecimento que mesmo o trabalho leve, em ofícios ou
profissões sedentárias, causa lesões ósteo-musculares. Em l700, Ramazzini (1971) já
descrevera o sofrimento dos artesãos escriturários, sinalizando a leveza e
repetitividade do esforço, a sobrecarga estática das estruturas dos membros superiores e
a atenção e tensão exigidas. As causas imediatas e os sintomas que ele descreve são
muito semelhantes aos apresentados pelos escriturários modernos, mas há muitas
diferenças sociais entre o modo de adoecimento dos escribas de Ramazzini e o da sociedade
de escribas que acabamos nos tornando (Braverman, 1981).
Talvez, a mais significativa das diferenças, é das LER terem sido um modo mais
raro de adoecer, posto que, antes do século XIX; a escrita como trabalho era uma
atividade de um número bem pequeno de pessoas. No primeiro ciclo da revolução
industrial (1770/1870), o caráter ocupacional restrito, tanto da escrita como das
LER, permaneceu, mesmo quando em l830, a pena de ave foi substituída pela pena de aço,
tornando mais veloz o trabalho de escrever e mais freqüentes os casos da doença, com a
expansão desse antigo ofício tornado tarefa, agora para a categoria de escriturários
remunerados por horas/trabalho. Após l870, com o desenvolvimento e expansão do
telégrafo, uma nova categoria, a dos telegrafistas, passou a apresentar LER. No caso, o
objeto do trabalho não mais era a pena, mas o teclado (Dembe, 1995). Tipos de esforços
parecidos vieram a vitimar, de modo semelhante, duas outras novas categorias de
trabalhadores assalariados, a dos mecanógrafos/datilógrafos e a dos telefonistas. Desde
l918, na Suíça, os trabalhadores dessas duas categorias, que adoeciam de LER eram
indenizados pelos empregadores (Baader, 1960).
O trabalho mecânico, cada vez mais automatizado, progressivamente, passou a exigir
maior destreza das mãos, fazendo-se acompanhar da expansão e freqüência mais elevada
de casos de LER, ainda assim, circunscritos a algumas categorias. Após a metade do
presente século esse caráter e exigência do trabalho se fizeram universais, invadindo
literalmente todas as atividades econômicas e sujeitando todas as categorias. Em nível
de tecnologia, o que marca essa inflexão é a acelerada automação dos processos de
produção, não mais mecânica, mas eletro-eletrônica, simbolizada pelos robôs e
computadores. No mesmo passa, as LER deixaram de ser um modo de adoecimento de umas poucas
categorias de trabalhadores, para ser de todas e a ocorrer tão freqüentemente que se
tornaram um grave problema do trabalho, social e de saúde publica.
0 Japão, que mais precoce e velozmente avançou em termos de automação e
racionalização do trabalho, foi o primeiro a se dar conta da gravidade da situação, no
final da década de cinqüenta. Os que historiam a evolução dos distúrbios
cérvico-braquiais de natureza ocupacional (OCD), nome da doença no país, afirmam
que sua expansão se deveu à elevada sobrecarga do trabalho intensivo e em alta
velocidade, exigida por máquinas operadas manualmente, jornadas longas de trabalho
contínuo, aumento individual das tarefas que requeriam movimentação exagerada dos dedos
e de outros segmentos dos membros superiores, empobrecimento do conteúdo do trabalho,
controle rígido das chefias e redução do repouso e do lazer. Segundo eles, de 1, 6
milhão de trabalhadores, 1O%, em média, eram sintomáticos.
A maior prevalência (21%) foi encontrada em trabalhadores da linha de montagem. A
terceira categoria mais atingida, com uma prevalência de 9% foi a de escriturários
(Nakaseko et al., l982).
No rastro da acelerada incorporação das novas tecnologias de automação, sempre
associadas às novas formas de organizar o trabalho, as LER ganharam os países
industrializados, com os nomes de cumulative trauma disorders (CTD), repetitive strain
injury (RSI), occupational overuse syndrome (OOS), occupational cervicobrachial disorders
(OCD) e lésions attribuibles au travail répétitif (LATR), respectivamente nos
Estados Unidos, Austrália. Alemanha e países escandinavos e Canadá (Kuorinka et al.,
1995).
No início dos anos 80, as LER aportaram no Brasil, com as características
de uma doença do trabalho, surpreendida inicialmente em bancários que trabalhavam como
digitadores em um centro de processamento de dados de um banco estatal (Rocha, 1989).
Logo, elas passaram a ser diagnosticadas em outros centros de processamento, em
escriturários / caixa de bancos, à medida que a automação chegava à periferia do
sistema financeiro, e a aparecer nas indústrias metalúrgica, química e,
principalmente, na linha de montagem eletro-eletrônica, em caixas de supermercados,
embaladores, etc, tornando-se, na década de 90, junto á surdez, as doenças do trabalho
mais notificadas ao INSS e as que mais demandam aos serviços de saúde do trabalhador
(Nusat, l993).
DETERMINAÇÃO E CAUSALIDADE
Entre as significativas mudanças ocorridas com o "trabalho vivo" no
atual ciclo de desenvolvimento do modo de produção capitalista, está a redução do uso
da força muscular bruta, cujo dispêndio energético medido em calorias e fundamentado na
fisiologia alemã do fim do século XIX, servia para estabelecer a remuneração do
trabalho (Ribeiro, 1968; Ribeiro & Lacaz, 1981).
Agora, o esforço físico exigido pela automação é de outra natureza, ainda que
continue comprometendo, de muitas maneiras, as várias estruturas músculo-esqueléticas
dos membros superiores. É um esforço leve, por isso, capaz de ser repetido em alta
velocidade pelas mãos e dedos, ao mesmo tempo que cobra uma postura e sobrecarga
estáticas dos segmentos restantes. Em uma jornada de trabalho, o gasto calórico é
mínimo, apesar do uso excessivo de músculos e tendões atuar como micro-traumas
cumulativos, ao longo do tempo, justificando as expressões occupational overuse
syndrome dos australianos ou cumulative trauma disorders dos
norte-americanos.
A presença desses componentes que integram a materialidade do processo de trabalho
atual e outros, menos visíveis, que compõem sua organização, e a ocorrência
concomitante e crescente de LER, fizeram-nas reconhecidas, em todo o mundo, como doenças
associadas ao trabalho, numa relação de causa e efeito positiva e clássica.
Kuorinka, Forcier & col. (1995), admitindo haver tomado como referência o
modelo de Leavell & Clark (1976), explicam que seu modelo repousa "sobre dois
aspectos essenciais: que todos os elementos estejam ligados entre si, ensejando reações
em cadeia; desse modo, qualquer modificação de um elemento, cria um novo estado que
serve de base a um novo ciclo. Além disso, os fatores de ordem organizacional e
psicossocial são também considerados, ou tendo influência sobre os outros por
exemplo, a organização do trabalho sobre a carga mecânica ou tendo influências
mais particulares, por exemplo, sobre o plano do mecanismo do estresse".
0 modelo, continuam, foi construído a partir de três grupos de elementos: os
designados fisiopatológicos ou individuais, correspondendo ao hospedeiro, os
fatores de risco gerais, concernentes ao agente, no caso o processo de trabalho em
si e o meio do trabalho ou ambiental (Leavell & Clark, 1976).
Não obstante considerarem importantes os fatores externos, os autores
admitem não os ter levado em conta (Kuorinka & Forcier, 1995).
Apesar da interatividade dos fatores, o modelo de Kuorinka, Forcier & col.
(1995) continua sendo, conceitualmente, de multi-causalidade linear, onde a doença é uma
entre as possíveis resultantes. É, também, centrado na internalidade do trabalho e nas
reações biológicas do trabalhador, como se trabalho e trabalhador pudessem ser
despojados de sua condição histórica e social, e as relações de produção e trabalho
que mantêm fossem atemporais.
A teoria da multi-causalidade tem sido de extrema valia para a consolidação da
medicina contemporânea, alicerçada nos primados do positivismo. É útil ao médico,
quando em sua prática singular com o doente, busca associar males e causas para
estabelecer o diagnóstico. Serve à pessoa, quando na situação, procura restabelecer
sua saúde e assegurar prerrogativas trabalhistas, previdenciárias e de cidadão adoecido
do trabalho, fazendo-o com base no direito moderno, igualmente positivista, que exige a
comprovação da causalidade ou con-causalidade do trabalho com a doença. Pode embasar
algumas intervenções técnicas sobre as condições, ambientes e, até, sobre a
organização e relações de trabalho, com alguma eficácia, sempre pontual. Enfim, a
teoria da multi-causalidade é, sem qualquer dúvida, eficaz, conquanto limitada. Sua
insuficiência para explicar essa ou qualquer doença não está no que ela, dentro da
lógica formal, permite explicar, mas no que acaba ocultando.
Nossa hipótese é que existe uma dimensão social, mais abrangente,
na determinação das LER, que contém as duas outras, habitualmente referidas como
fatores. Uma, a internalidade do processo e organização do trabalho, que chamaria de
dimensão do trabalho, e outra, do modo de cada um sentir e refletir o mundo,
que designaria de dimensão individual. Diria ainda que essas três
dimensões são indissociáveis.
0 CAMPO DE OBSERVAÇÃO: OS BANCOS
Até o explosivo aparecimento das LER, os bancários, enquanto categoria
estavam livres de serem vítimas de uma doença tipificada como do trabalho, tão comum
entre os trabalhadores industriais. A associação das LER com a automação é, portanto,
iniludível.
Embora esteja pesquisando a doença em vários bancos, os dados quantitativos e
qualitativos sobre os quais vou basear a discussão daqui por diante, por muitas razões,
referem-se a um banco estatal, que até o final de 1994, contava com 34.795 trabalhadores.
Aplicamos 525 questionários na população de 1223 adoecidos, conhecida
até junho de 1994. Os dados quantitativos e a análise desses questionários foram
publicados em uma revista de circulação interna, distribuída, principalmente, entre
eles (Ribeiro, 1995). Embora vá me referir a alguns desses dados quantitativos, vou me
prender mais aos 345 depoimentos que continham.
Chamava a atenção na amostra, o fato de 95% dos adoecidos se situarem na
hierarquia inferior da empresa, a quase totalidade (85%) na função de
escriturário/caixa. Para essa população mais sujeito a adoecer, constituída de 23.000
trabalhadores, 55% eram do gênero feminino. Dos l223 casos conhecidos de LER, 79%
eram mulheres. Na amostra, esse percentual foi um pouco maior; 83%. Todos tinham menos de
50 anos, 25% entre 40 e 50 anos, 56% entre 30 e 39 anos e 19% abaixo de 30 anos. O tempo
médio de trabalho bancário dos adoecidos da amostra foi de 12 anos. Nesse banco, 337
adoecidos referiam conhecer mais de dois colegas de trabalho que tinham sintomas e se
recusavam a procurar o médico. Somados esses suspeitos atingiam o número de 960. O tempo
médio entre os primeiros sintomas e a ida ao médico foi de onze meses na amostra, e o
tempo médio de afastamento do trabalho foi de 336 dias.
Como se observa, as LER são uma doença que vitima trabalhadores relativamente
jovens e em plena fase produtiva, a grande maioria do gênero feminino, situados na
hierarquia inferior do banco e sujeitos a esse tipo de trabalho por um tempo longo, a
quase totalidade dos casos havendo ocorrido depois de 1990.
Muitas das questões suscitadas com esses e outros dados dos questionários puderam
ser melhor entendidas, graças aos 345 depoimentos espontâneos que continham e dos quais
nos valeremos para a discussão a seguir.
DISCUSSÃO
Como explicar, ao longos desses anos, o crescimento do número de casos das
LER, sem que a empresa, seu sistema de controle de engenharia de segurança e medicina do
trabalho, sua caixa de assistência médica com sua rede de médico credenciados e o INSS
tenham lhes dado a merecida importância?
Um dos depoentes formula a hipótese de que há por parte da empresa uma ignorância
real, sem dar à expressão qualquer sentido pejorativo, simples desconhecimento de
diretores, gerentes e administradores, sobre o que estaria acontecendo com a saúde dos
seus subordinados. Esse desconhecimento não se inscreve, de hábito, nos anais das
empresas modernas que construíram, sabe-se, sistemas de controle e informações bastante
eficazes, assentado na automação. Em termos organizacionais, nenhuma desinformação ou
desconhecimento é inocente, mas parte de uma política. No caso desse banco, de extensão
nacional, com centenas de agências, a desinformação tem conteúdos e nuances diferentes
nos diversos locais e níveis hierárquicos.
Os diretores seriam pouco informados e se sentem menos responsáveis porque
distanciados do local onde os que realizam o trabalho concreto, os trabalhadores do nível
hierárquico inferior, adoecem. Ignoram a ocorrência dos fatos cotidianos, fora de sua
alçada imediata. Para eles, trabalhadores adoecidos ou não são uma abstração. Ouvem,
cada vez com maior freqüência, falar de LER, mas essas ou qualquer outras doenças de
trabalhadores, são uma abstração ainda maior. Podem argumentar que a administração
superior tem outras atribuições, mais ligadas às missões e metas da empresa. Mas a
partir de determinado momento, as LER fazem comprometer a capacidade de trabalho de um
contingente crescente da força de trabalho e, a ameaçar metas e objetivos. É aí que as
LER passam a ordem do dia da diretoria, quando já transcorreram alguns anos e as marcas
da doença se fizeram profundas e indeléveis. É precisamente dentro dessa ótica, de
força de trabalho, que são vistos os empregados dessa ou de qualquer empresa. A
percepção expressa de adoecidos sobre a falta de tratamento humano da diretoria
faz, pois, sentido. O desconhecimento sobre os sentimentos dos subordinados, o
trato e distrato das suas necessidade e problemas, fazem parte da desumanização das
relações de trabalho, marcadas pela verticalidade e impessoalidade. Porém, para os
adoecidos, os diretores não são culpados por seu adoecimento, mas por não resolverem os
problemas que as LER trazem. 0 beneplácito da desinformação Ihes é concedido, mas não
o da omissão.
0 comportamento dos diretores se reproduz no nível de macro-gerentes e diretores
regionais, apesar da maior proximidade com os serviços locais, onde se realiza o trabalho
concreto e o adoecimento acontece. Mas as informações dos níveis acima e abaixo são
fragmentadas, restritas à sua área de atuação. A circunstância de se constituírem em
poder intermediário, menor e pouco visível, os fazem mais protegidos de
acusações e cobranças.
Tal proteção não têm os gerentes e administradores locais. São de todos os
escalões superiores, o de menor poder, mas onde o poder se exerce sem disfarce. Sabem
razoavelmente o que ocorre com seus subordinados e com a saúde deles, mas ignoram o que
está fora de seu alcance visual dentro da empresa, com relação aos subordinados dos
outros. São os mais expostos e, simultaneamente, os que têm obrigação e oportunidade
de ver e sentir o cotidiano dos que realizam o trabalho concreto. Se não o fazem é
porque estão despreparados ou por não querer.
Como diz um depoente, os casos de LER em sua agência são dois, portanto,
raros, fazendo com que ele e o outro sejam considerados estranhos. Para a
gerência e colegas, a presunção é de que o número de adoecidos no conjunto dos locais
seja insignificante. Resta a impressão local. 0 silêncio da administração superior
sobre a verdadeira dimensão do problema na empresa, corrobora para essa percepção
fragmentada e equívoca das administrações locais, incapacitadas de ver esse
adoecimento, novo para elas, como decorrência do trabalho e uma séria questão de
saúde, encarando-a como simples problema administrativo. E o fazem, como costumam fazer
com outros casos e coisas, de várias maneiras, a mais comum, duvidando do subordinado
queixoso que apresenta queda de produtividade e se ausenta, alegando estar adoecido de uma
doença que ninguém objetivamente vê e que o próprio, de início, negou a si e por um
bom tempo ocultou.
0 caminho mais fácil para o administrador é responsabilizar o subordinado
adoecido, vendo no fato de adoecer, uma forma disfarçada de insubordinação. É um modo
de invalidar suas queixas e necessidades, antecipando-se ao aparecimento de outros casos e
queixas similares. Invalidar pessoas que tem sofrimento, sempre solitário, e que lidam
com medos, ameaças e perdas, não é difícil. Mais fácil ainda se é mulher. Vai da
insinuação ao pouco sutil de estar ou ser nervosa, ao xingamento escrachado de
estar louca. As LER são ditas manifestações psicológicas, significando
uma debilidade intrínseca do adoecido, logo sua auto-culpabilidade. E como os adoecidos,
em sua maioria, são mulheres, as LER passam a ser coisa de mulher, expressão
carregada de preconceito que mal disfarça a estratégia de inibir a revelação da
doença por parte dos homens.
A dispersão dos trabalhadores sujeitos a adoecer por 1.700 dependências e 600
agências favorece a desinformação do que está a ocorrer em cada uma, particularmente
quando se trata de uma doença do trabalho. Por seu lado, o órgão específico de
engenharia de segurança e medicina do trabalho que, em tese, deveria cuidar do problema,
começando por processar as informações, se o faz, oculta-o, incapaz de formular
políticas e ações compatíveis com a gravidade do problema, independentemente da
competência individual dos seus técnicos, corroborando a tese que a desinformação,
desconhecimento ou ignorância não é inocente, mas elemento de uma política. 0
que parece haver revelado essa não inocência e essa política foi o descontrole da
situação que põe em risco a produtividade do banco, face ao grande número de adoecidos
e afastados.
Pelos depoimentos, a negação da doença e as práticas discriminatórias não se
restringem aos diretores e gerentes. Chefias menores e trabalhadores sadios do
nível hierárquico inferior têm comportamento parecido.
Os acidentes típicos de trabalho geram conhecido sentimento de horror e
manifestações coletivas de solidariedade e revolta contra a violência tão explícita.
No entanto, a culpabilização do acidentado se sustentou no país por mais de duas
décadas, alicerçadas na teoria tão cínica quanto perversa de que a maioria deles tinha
como causa o "ato inseguro" da vítima. Técnicos e tecnocratas oficiais e
patronais a difundiram, largamente, nos congressos promovidos pelo Ministério do
Trabalho, nas semanas internas de prevenção de acidentes, nos cursos de engenharia de
segurança e medicina do trabalho e nos de formação de técnicos e "cipeiros".
Resíduos fortes dessa teoria e desses discursos ainda impregnam a consciência dos
trabalhadores, introjetados pela propaganda maciça. Mas foi impossível negar as
evidências das situações calamitosas do trabalho, responsáveis por, aproximadamente,
vinte e cinco milhões de acidentes em duas décadas.
As LER carecem dessa materialidade e evidência que suscitam compreensão e
solidariedade. 0 que começa a convencer os trabalhadores não adoecidos da veracidade da
existência da doença inaparente, é a perda da percepção equivocada sobre a
singularidade dos casos de sua agência e o conhecimento progressivo de que essa é uma
doença plural, indesejada e ameaçadora. Afinal, ninguém quer adoecer. É sempre
doloroso e prenuncia o que menos se deseja, a morte. Não é o que temem os adoecidos de
LER, embora o sofrimento físico e psíquico tenha, em alguns depoentes, alimentado esse
desejo indesejado. 0 que efetivamente temem é a morte social, de não poder fazer o
que faziam antes, ou seja, trabalhar e cuidar de si e dos seus. Estar destituído
dessa capacidade, ainda que provisória e involuntariamente, implica sanções. É tão
forte esse sentimento de dever, que os que estão incapacitados sentem-se culpados, perdem
a auto-estima e se ressentem muito com as incriminações explícitas e veladas.
Mas a discriminação dos colegas sadios tem conteúdo diferente daquela dos
administradores. Trabalhadores adoecidos e não adoecidos são uma mesma categoria e
exercem funções no rés da empresa. 0 que momentaneamente os diferencia é a presença
revelada da doença em uns e não em outros. Se têm comporta- mentos antagônicos é por
causa dessa circunstância nova. Deve-se supor, portanto, que os adoecidos, quando sãos,
tivessem o mesmo comportamento dos que hoje se sentem sobrecarregados de trabalho com suas
ausências. Esses há bem pouco se identificavam com aqueles e se sentiam companheiros e
até como "uma família". Os não adoecidos não se fizeram moralmente piores e
menos solidários, nem os adoecidos, com áurea indesejável da doença se tornaram mais
ou menos virtuosos. Continuam todos sendo trabalhadores, vivendo suas necessidades,
conflitos e subjetividades. A estranheza é recíproca e conseqüente a uma
situação inusitada e desagregadora. O adoecido que via a si próprio nos outros e com
eles se identificava, através de manifestações de afeto, elogios e solidariedade,
sente-os afastados, incriminadores. Os sadios, que mesmo modo se viam no adoecido
quando esse era são, o percebem diferente, trabalhando pouco ou mal e se comportando
socialmente de maneira estranha. Essa estranheza recíproca não é imediata. Entre os
primeiros sintomas de LER e o autoconhecimento do adoecimento medeia um espaço de tempo
razoável, quando o adoecido o nega e procura ocultar a dor e seus medos. A dor, a
tristeza e a irritabilidade, sinais premonitórios que acompanham a perda da capacidade de
trabalho, "de não poder fazer", são percebidas externa e socialmente,
como vontade deliberada de não trabalhar. Quando o afastamento do trabalho torna público
o adoecimento, um longo caminho introspectivo de sofrimento foi percorrido e já aconteceu
o distanciamento afetivo dos colegas, desestruturando suas relações. Para piorá-las, o
adoecido mais sente do que se revela, é reconhecido e declarado doente.
A negação da doença pelos outros é, também, sua no início, reforçada pela
dubiedade médica. Nesse ponto, o sofrimento físico foi exacerbado pelo sofrimento
psíquico, dificultando ainda mais a inserção social no trabalho e junto aos amigos e
familiares. 0 desespero passa a ser visível, mas falta aos circunstantes o sentimento
objetivo da dor e das múltiplas perdas de quem adoece, E o olhar leigo, habituado a
surpreender os sinais exteriores de outros adoecimentos, não logra perceber as marcas
interiores e profundas das LER, até porque a ambigüidade desse padecimento inaparente,
inquietante, lento e crescente, estabelece, por um tempo razoavelmente longo, uma cumpli-
cidade na negação e ocultação da doença entre o doente e os outros. 0 que vai
expô-lo é a incapacidade objetiva do fazer, devido aos limites que a dor impõe,
permanecendo submerso o sofrimento psíquico que a incapacidade desperta. Esse limites, o
adoecido custa a aceitar, recusando-se a negociar consigo próprio e tornando mais
difícil a negociação com os outros. Nos casos graves, essa subjetividade carregada de
pessimismo com relação às suas limitações à cura e à reintegração no trabalho, é
agravada pela conduta da empresa e de seus prepostos, esses perplexos com uma doença em
que a assistência médica tem sido, apenas, uma abordagem tardia, restrita e
freqüentemente malsucedida.
No caso da nossa amostra, constituída de 525 adoecidos, a maioria era de casos
graves, sendo a terapêutica medicamentosa e fisioterápica bastante aleatória. 0
repouso, fundamental para interromper a continuidade traumática do trabalho e
"esfriar" o conteúdo inflamatório do processo, quando veio a ser prescrito, o
foi tardiamente. A empresa, a prática médica na forma em que está organizada, a
previdência social e o próprio adoecido, por razões diferentes resistem ao afastamento
e buscam o rápido retorno ao trabalho. Os médicos, particularmente, não insistem muito
nesse ponto, sobretudo, porque as resistências são grandes e institucionais. Escudam-se,
para justificar esse lavar de mãos, na legislação da previdência social que confere
grande poder discricionário aos seus peritos, orientados para sempre duvidar do vínculo
de qualquer doença com o trabalho, invocando a fragilidade ou inconsistência de
"provas", vale dizer, da ausência de exames complementares comprobatórios, só
positivos, e nem sempre, nos estados mais avançados das LER.
Os depoimentos dos adoecidos de LER sobre as práticas de médicos e técnicos da
empresa, da previdência e dos serviços médicos credenciados que os assistem deixam
entrever as políticas próprias e socialmente impróprias dessas instituições e do
modelo médico-assistencial vigente, individual, medicalizador, com procedimentos
terapêuticos clínicos de duvidosa eficácia e intervenções cirúrgicas excessivas e,
provavelmente, desastrosas. Não é de admirar que muitos da nossa amostra hajam
recorrido, com desusada freqüência, a tratamentos alternativos e pouco convencionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em sua evolução, o homem aprendeu a fazer outros usos de suas mãos, além
daquele primitivo e restrito de pegar. 0 contato, a sensibilidade, a percepção das
formas e do movimento e a projeção das mãos como instrumento para conhecer e
transformar o mundo foi um aprendizado histórico longo que teve correspondência a nível
de seu córtex cerebral. Em o transformando, transformou-se. 0 uso sensível, preciso,
ágil e coordenado das mãos é o resultado, pois, da própria construção,
simultaneamente, biológica, histórica e social do homem.
Enquanto movimentos de flexão e extensão, manusear peças eletrônicas, teclas de
computador, cordas ou teclados de instrumentos musicais têm poucas diferenças.
Variarão, certamente, de intensidade, ritmo e extensão do tempo de manuseio, mas as
diferenças do trabalho de um operário da indústria eletro-eletrônica, de um bancário,
de um instrumentista de orquestra sinfônica e de um músico de jazz não são,
apenas, dos instrumentos, meios, quantidade, intensidade e tempo dos movimentos. Há
muitas outras, além desses elementos quantitativos e físicos, que dizem respeito
ao conteúdo intrínseco, à qualidade, à natureza social, histórica, cultural,
afetiva e or- ganizadora desses trabalhos.
No entanto, é freqüente, embora pouco original, comparar o processo de
trabalho de uma empresa industrial ou financeira, com elevado nível de tecnização e
organização, como de uma orquestra sinfônica, onde cada trabalhador, sentado ou de pé,
dá conta de sua partitura. Na realidade, essa aparente sintonia é uma seriação de
tarefas simples, repetitivas, que tem pouco a ver com a divisão racional do trabalho,
muito diferente do trabalho coletivo dos instrumentistas de uma orquestra, concebido e
exercido com razoável autonomia, embora preso, rigorosamente, a um texto e sob a batuta
de um maestro. Mais diferente ainda é no jazz, onde a liberdade de conceber e
tocar é absoluta.
As diferenças qualitativas do trabalho, provavelmente mais do que nas de natureza
quantitativa dos movimentos e posturas físico- corporais, estarão as causas da
desigualdade de prevalência das LER observadas nas diversas categorias e dentro de uma
mesma categoria. Não é, pois, de estranhar que as mais altas tenham sido encontradas
entre os trabalhadores da linha de montagem (Nakaseko et al., 1982) e que essas lesões
sejam quase exclusivas dos trabalhadores do rés das empresas, como em nosso estudo com
bancários, que ocorrem, embora com menor freqüência em músicos de orquestras
sinfônicas e não tenham sido registradas em músicos de jazz (Depuis, 1995).
Parece haver poucas dúvidas de que quando os trabalhadores dos dois gêneros se
sujeitam ao mesmo processo de trabalho, a prevalência feminina das LER é muito maior,
fato denunciador, antes de mais nada, da precariedade do conceito de igualdade baseado na
jornada igual de trabalho. As hipóteses para explicar essa diferença de prevalência,
habitualmente, se assentam nas diferenças orgânicas: morfofisiológicas, hormonais,
imunológicas ou psíquicas (Krom et al., 1990; Cannon et al., 1981; Lucire, 1986). Há
nessas teorias explicativas alguns elementos comuns. Além de privilegiarem os atributos
individuais, constituídos em "fatores", como no modelo clássico de Leavell
& Clark (1976), elas resvalam para o conceito vago de uma predisposição
ligada ao sexo. Haveria uma patogenicidade inata do ser feminino a ter LER. É fácil
perceber como essas teorias servem, intencionalmente ou não, para alimentar preconceitos
e discriminações e culpabilizar o adoecido pelo próprio adoecimento. Aliás, nos
depoimentos dos adoecidos da nossa amostra são transcritas as expressões chis- tosas e
depreciativas utilizadas contra eles. Comportamento dessa ordem costumam não respeitar as
diferenças e quando desfavoráveis á produção, as consideram atributos negativos,
susceptibilidades individuais ou de sexo. A sujeição de adoecer do trabalho se faz
natural e se transmuda em fator de risco para a produção.
A hipótese que formulo é que se uns adoecem de LER, enquanto outros não, embora
todos estejam sujeitos, em tese, ao mesmo processo de trabalho, é porque têm uma
sensibilidade diferente e sentem a subordinação ao trabalho com mais rigor.
A impropriedade do adoecimento não está na pessoa, posto que lhe é externa, mas
no trabalho. Dada à subordinação de classe, social e histórica (maior no caso da
mulher) por não encontrarem outra forma de expressar a violência do trabalho, senão com
o próprio corpo, as pessoas mais sensíveis denunciam-na, adoecendo. 0 adoecimento do
trabalho por LER ou qualquer outro não resulta, portanto, de nenhum defeito ontogenético
ou de caracteres depreciativos, de natureza biológica ou psíquica, mas objetivamente do
trabalho. Não é acidental que adoeçam mais ou quase exclusivamente homens e mulheres
que realizam o trabalho concreto, que se situam no nível hierárquico inferior das
organizações, isto é, os mais subordinados.
1997
Herval Pina Ribeiro,
Setor de Saúde Ocupacional. Departamento de Saúde
Ambiental. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo.
REFERÊNCIAS
- BAADER, E. W., 1960.
Enfermedades Profisionales. Madrid: Ed. Montalvo.
- BRAVERMAN, H., 1981. Trabalho e Capital Monopolista. A Degradação do
trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Ed. Zahar.
- CANNON, L. J.; BERNACKI, E. J. & WALTER, S. D.. 198I. Personal and
occupational factors associated with carpal tunnel syndrome. Journal of Occupational
Medicine. 23:255-258.
- CARDOSO DE MELLO, J. M, 1992. Conseqüências do neo-liberalismo. Economia
e Sociedade. Revista do Instituto de Economia da Unicamp. 1:59-67.
- COUTINHO, L., 1992. A terceira revolução industrial e tecnológica,
1992. Economia e Sociedade. Revista do Instituto de Economia da Unicamp, 1: 69-88.
- DEMBE, A., l995. The social history of musculo-skeletal disorders. l995.
Il Internacional Scientific Conference on Prevention of Work related Musculo-skeletal
Disorders. Montreal.
- DUPUlS, M., 1995. La tendinite du musicien: Thème et variations, 1995.
Il International Scientific Conference on Prevention of Work related Musculo-skeletal
Disorders. Montreal.
- HARVEY. D., 1994. Condição Pós-Moderna. São Paulo: Ed. Loyola.
- KROM. M. C. T. E. M.; KESTER, A. D. M.; KNIPSCHILD, P. G. & SPAANS,
F., l990. Risk factor for Carpal Tunnel Syndrome. American Journal of Epidemiology,
132: 1102-1110.
- KUORINKA, I. & FORCIER, L., 1995. Les Lésions Attribuibles
au Travail Repetitif. Ouvrage de Réference sur les Lésions Musculo-Squeletiques Liées
au Travail. Quebec: Ed. MultiMondes.
- LANDES, D. S., 1994. Prometeu Desacorrentado. Transformação
Tecnológica e Desenvolvimento lndustrial na Europa Ocidental desde 1750 até a Nossa
Época. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira.
- LEAVELL, H. & CLARK. E. G., l976. Medicina Preventiva.
São Paulo: Ed. McGraw Hill.
- LUClRE, Y., 1986. Neurosis in the workplace. The Medical Journal of
Australia. 145:323-330.
- MARX, K., 1975. 0 Capital (Crítica da Economia Política).
- Livro I: 0 Processo de Produção do Capital. Rio de Janeiro: Ed.
Civilização Brasileira.
- NAKASEKO, M.; TOKUNAGA, K. & HOSOKAWA, M., 1982. History of
occupational cervico-brachial disorders in Japan. Journal of Human Ecology,
11:7-16.
- NAVARRO, V., I995. Produção e Estado do bem estar social, In: Estado
e Políticas Sociais no Neoliberalismo (A. C. Laurell, org.), pp. 91-124. S. Paulo:
Ed. Cortez/Cedec.
- NUSAT (Núcleo de Referência em Doenças Ocupacionais da Previdência
Social), 1993. Relatório Anual. Belo Horizonte: NUSAT.
- OFFE, C., 1994. Capitalismo Desorganizado. Transformações
Contemporâneos do Trabalho e da Política. São Paulo: Ed. Brasiliense.
- RAMAZZINI, B., 1971, As Doenças dos Trabalhadores. Rio de Janeiro:
Ed. Liga Brasileira Contra os Acidentes de Trabalho.
- RIBElRO, H. P., 1968. Alimentação como indicador de triagem
sócio-econômica. Pediatria Prática, 39: 5-23.
- RIBEIRO, H. P. & LACAZ, F. C. S., 1985. De Que Adoecem e Morrem os
Trabalhadores. São Paulo: Ed. Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisa de
Saúde e dos Ambientes de Trabalho (DlESAT)/Imprensa 0ficial do Estado de São Paulo
(IMESP).
- RIBEIRO, H. P., 1994. Conversando sobre LER . São Paulo: Ed.
Opção/Associação dos Funcionários do Banco do Estado de São Paulo (Afubesp).
- RIBEIRO, H. P., 1995. Estado atual das LER no Banespa. Cadernos de
Saúde/Afubesp, 1:45.
- ROCHA, L. E.. 1989. Tenossinovite como Doença do Trabalho no Brasil: A
Atuação dos Trabalhadores. Dissertação de Mestrado, São Paulo: Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo.
Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .