LOGÍSTICA DE TRANSPORTE, A ATUAL SUPREMA SENHORA DA EFICIÊNCIA

A logística de transporte, embalada em especial pela unitização de carga e pela sua majestade o container, a quem dedico o título de oitava maravilha da natureza e primeira da logística, ganha cada vez mais espaço e se torna absolutamente fundamental na distribuição física de mercadorias.
Já não é mais concebível atuar-se na logística como há cerca de uma década ou pouco mais, quando a equação de custos era a velha e conhecida “Custo + Lucro = Preço”, onde o que importava era o repasse aos preços da ineficiência na produção e distribuição, com os agentes econômicos aceitando e pagando tudo isto.
Com o reinado, já há algum tempo, da equação “Preço – Lucro = Custo, os agentes econômicos produtores e distribuidores de mercadorias tiveram que procurar maneiras de tornar-se mais eficientes.
Com a dificuldade cada vez maior de repasse dos custos e da ineficiência aos produtos, em virtude da abertura de nossa economia, que antes tarde do que nunca nos brindou no início dos anos 90, e que nos permitiu buscar mercadorias de melhor preço em qualquer parte do mundo, ficou inevitável buscarmos uma forma de melhorar os custos de transferência de mercadorias, de modo a não encarecer os baixos preços dos produtos estrangeiros, bem como os nossos de exportação.
Com a continuidade da utilização quase absoluta  do modal rodoviário nas últimas décadas, já tendo representado 80% e hoje ainda 60%, e com os altos custos portuários que sempre tivemos seria impossível a apresentação de melhorias. Assim, foi inevitável a busca por melhores preços de frete, embarque, desembarque e transporte, bem como eficiência nas operações portuárias.
Com isto, iniciamos um processo inédito de privatizações e busca contínua de melhorias que, novamente, antes tarde do que nunca chegou.
Podemos citar o transporte ferroviário, privatizado em meados dos anos 90, que com o nível de investimentos que vem recebendo, e com a virtude de frete baixo e grande espaço, está se constituindo numa alternativa razoável, embora reconheçamos um pouco de lentidão, e que o processo se constituirá numa longa jornada.
Com a privatização das operações portuárias passamos a ter portos mais modernos e competitivos, reduzindo os custos das operações e aumentando a sua eficiência, respaldando nosso comércio exterior.
Para quem tem acompanhado a cabotagem é de fácil percepção que isto propiciou a sua fantástica recuperação nos últimos poucos anos, com crescimento não imaginável até há pouco, de 500% entre os anos de 1999 a 2002, tornando-se uma alternativa ao rodoviário. Isto não surpreende, considerando-se a costa navegável brasileira, de cerca de 8.000 quilômetros, e que não se deve menosprezar. Estranho era justamente a sua não utilização intensiva, tendo praticamente perecido há algumas décadas.
Ainda deixando dúvidas, devemos considerar a hidrovia, um modal de baixo custo e que não precisa de muito para tornar-se viável, principalmente a navegação na hidrovia do Mercosul, formada pelos rios Tietê, Paraná e Paraguai, com extensão comparável à costa brasileira, e que deverá ganhar espaço com o renascimento do Mercosul.
Também o complexo amazônico tem sido de grande valia, visto a sua utilização como escoadouro para o exterior da produção de grãos no centro-oeste, e cujo transporte para o mundo apresenta mais vantagens quando levado ao Rio Amazonas, se comparado a seu transporte por rodovia para os portos do sul e sudeste do país. 

setembro/2003

Samir Keedi,
Professor de graduação e pós-graduação e autor dos livros "Transportes, unitização e seguros internacionais de carga-prática e exercícios", "Logística de Transporte Internacional", "ABC do Comércio Exterior" e "Transportes e Seguros no Comércio Exterior", e tradutor do Incoterms 2000.

samir@aduaneiras.com.br

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