A integração da embalagem no sistema logístico

As três principais funções da embalagem (proteção, utilidade e comunicação) se auto-influenciam e é a natureza do sistema logístico que determina como elas serão utilizadas.
Para cada sistema logístico, a embalagem não deve apenas oferecer proteção, utilidade e comunicação, mas também deve facilitar as transições entre atividades. Se a embalagem for analisada na Cadeia de Abastecimento, pode-se perceber que os produtos mudam de usuários e locais de estocagem. Portanto, a embalagem precisa ser projetada para atender as variações das necessidades funcionais, bem como as necessidades específicas de seus usuários.
Pela análise do Sistema Logístico, o projeto da embalagem deve ser integrado para minimizar o custo, maximizando a produtividade operacional. Quanto mais complexo for o sistema, maior será a necessidade de estudá-lo quanto a: métodos de movimentação, dimensões das instalações, causas dos danos, necessidades de comunicação, etc.
Para muitos produtos é a embalagem que determina as características do sistema logístico necessário. Por exemplo, a embalagem pode determinar a vida em prateleira de produtos alimentícios perecíveis, o que define a extensão necessária do ciclo logístico.

PADRÕES
A necessidade de integração é um motivo porque diversos setores desenvolvem padrões. Dimensões padronizadas dos paletes, por exemplo, facilitam a movimentação do produto e dos contenedores entre empresas - uma pequena diferença nas dimensões destes contenedores (embalagens) pode aumentar significativamente os custos logísticos totais de uma Cadeia de Abastecimento. As necessidades e características dos diversos sistemas logísticos podem refletir pressões do setor, do ambiente e da legislação, bem como temas relacionados com a segurança e ergonomia.
Os padrões de identificação automática podem ajudar a assegurar que as embalagens sejam compatíveis com os sistemas de informação das organizações integrantes da Cadeia de Abastecimento.

A EMBALAGEM APOIANDO A GESTÃO DE ESTOQUES
Alguns sistemas logísticos dependem da embalagem para disparar o ponto de pedido, como no sistema de controle de produção e de estoques denominado Kanban, onde uma embalagem vazia devolvida é o aviso para o fornecedor despachar e repor uma outra cheia.

A EMBALAGEM NA EXPORTAÇÃO
Visualizando a Cadeia de Abastecimento além das fronteiras de nosso país, pode-se entender que a embalagem deve satisfazer a um conjunto ainda mais complexo de funções. Algumas precisam ser mais resistentes que as embalagens que percorrem curtas distâncias, especialmente se as mesmas forem destinadas a uma exportação não conteinerizada e/ou forem expostas a diferentes esforços mecânicos de movimentação nos portos. Embalagens de exportação frequentemente sofrem manuseio duro e maior variação de condições climáticas (exemplo: temperatura, umidade, etc).
A racionalização do volume das embalagens é mais importante para viagens a longa distância. portanto, o tipo de jornada que a embalagem percorrerá precisa ser considerada na definição das características específicas das embalagens. Além disso, na exportação as embalagens precisam atender às normas internacionais e regionais, bem como à legislação de cada região e/ou país onde as mesmas são utilizadas.
A embalagem para os países em desenvolvimento pode ter necessidades diferentes já que frequentemente está sujeita às más condições de transporte e/ou instalações de estocagem, ficando expostas ao clima, insetos, etc. Alta umidade e temperatura nos trópicos podem ser muito prejudiciais, especialmente para alimentos. Neste sentido, ou se projeta uma embalagem para atender às características variáveis na exportação, ou então dificilmente será possível contar com a carga no seu destino. Novamente, a visão integrada de todo o sistema logístico é fundamental.

RESPONSABILIDADE
Os profissionais de logística e embalagem, entendendo a importância desta integração da embalagem com a logística, devem utilizar suas habilidades técnicas e também comportamentais, conscientizando todas as pessoas da organização com relação a este tema.
A responsabilidade pelo adequado desenvolvimento e integração da embalagem vai muito além do limite que a empresa tem quando transfere a carga para as transportadoras, instalações de armazenagem terceirizadas (operadores logísticos) e até mesmo os clientes.
Desta forma, a responsabilidade de um profissional de logística e/ou embalagem também vai muito além da empresa para qual o mesmo trabalha.

Eduardo Hope,
Consultor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
imam@imam.com.br

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