Pesagem de caminhões com cargas a granel 

Muitos e-mails nos chegam de todo o Brasil, dos lugares mais distantes, sobre várias dúvidas pertinentes a tudo que envolve pesagem de cargas de caminhões em balanças do tipo rodoviária.
Faço este artigo visando disponibilizar no Guia Log uma informação permanente, para ser consultada sempre que haja este tipo de dúvida.

Muitas empresas possuem balança do tipo rodoviária na sua portaria, pois recebem e expedem cargas a granel, que são diferentes das outras cargas que tem volumes variados individuais, onde cada volume pode ser pesado separadamente.
As cargas a granel podem ser de insumos / matérias-primas e combustíveis alternativos, isto no caso de entrada na empresa e de produto final, isto no caso de saída da empresa.

Para se pesar cargas a granel, tem que pesar o caminhão vazio e depois cheio ou vice-versa (depende se a carga está saindo ou chegando), a diferença é o peso da carga.
O peso do caminhão vazio é chamado de "tara". Ao pesar o caminhão cheio, tira-se o peso da tara e terá o peso da carga. É o mesmo sistema que acontece em restaurantes que adotaram o sistema de pagamento por kilo, onde na balança já vem constando o peso da tara, que é o peso médio de um prato vazio, já que não vão pesar toda vez cada prato vazio e depois cheio.
No caso dos restaurantes, a balança tem no seu mostrador o valor de peso negativo que é a tara; quando se coloca o prato cheio, o que passar acima de zero, é o peso da comida a ser paga.
Voltando a pesagem dos caminhões, existem cargas a granel, que precisam ser molhadas, pois mesmo cobertas com lona, correm risco de incendiar-se sozinha devido ao material ser de fácil combustão espontânea e qualquer entrada de vento pode provocar o início de chamas.
São os casos de combustíveis alternativos, como por exemplo a moinha de carvão ou o próprio carvão.
Ocorreu um caso com uma transportadora que teve que bascular a carga no meio de uma cidade, pois a carga estava em chamas, o que iria dar perda total no caminhão, caso o motorista não agisse rapidamente.
Mesmo nestes casos, há um percentual de umidade aceitável para cada tipo de material, o que é verificado com análise de amostras no laboratório da empresa que o recebe. O que ultrapassar este percentual será descontado no ticket de pesagem da balança, para efeito de pagamento da carga (Nota Fiscal) e do frete (CTRC – Conhecimento do Transporte Rodoviário de Cargas).
Esta pesagem também serve para indicar qual a baia será estocada, já que a tendência é utilizar a carga mais seca no processo de fabricação ou como combustível neste processo de fabricação. As cargas mais úmidas irão para uma baia que demorará mais tempo para ser utilizada, para que dê tempo de ter uma maior secagem e conseqüentemente melhor aproveitamento do material.
Normalmente as cargas são pesadas na balança de origem e na de destino e os dois tickets de balança são apresentados para quem as recebe, para uma confrontação. Esta também é uma forma de se verificar se não está havendo desvio de carga no meio do percurso.
Nos tickets de balança constam basicamente o peso, a placa do caminhão, data e hora.
Uma pequena diferença de peso entre as balanças de origem e destino é aceitável, pois pode haver uma desregulagem em uma delas. É o que acontece também quando você se pesa em balanças de diferentes farmácias, onde há uma pequena variação no seu peso.
Também existem cargas que ganham ou perdem peso durante a viagem. As que perdem peso podemos destacar as de animais vivos como aves, mas geralmente não são comercializadas pelo peso da carga.
Outros exemplos de cargas que perdem peso, são as que passam por algum tipo de esfriamento no final do processo de fabricação ou como sobras do processo, motivo de serem encharcadas com água, e já são em seguida carregadas em caminhões. Durante o percurso a água vai escorrendo pelo caminho e no destino final a carga já está bem mais leve do que no início.
As que ganham peso, foi citado acima, são geralmente as que recebem a infiltração de águas pluviais durante o trajeto, mesmo estando lonadas.

Para empresas que recebem cargas a granel, mas não possuem balança rodoviária devido ao alto custo de investimento que representa, sugiro utilizar a balança rodoviária de uma empresa vizinha (fazer um acordo com esta empresa) ou considerar a pesagem do posto policial durante o percurso.
Se não tiver nenhuma destas opções, poderá adotar para todos os caminhões, o peso médio de um caminhão cheio do produto em questão. Haverá variações, pois um caminhão pode estar mais cheio que outro ou porque os caminhões podem ter diferentes tamanhos, mesmo estando na mesma categoria de tamanho denominada pelo fabricante, mas é uma saída para minimizar o problema da falta de balança.
Com estas informações espero poder esclarecer muitas dúvidas.

julho/2004

Marcos Valle Verlangieri,
Diretor da Vitrine Serviços de Informações Ltda, empresa que criou e mantém o www.guialog.com.br ou www.guiadelogistica.com.br .


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