No futuro, será possível viver única e exclusivamente do transporte rodoviário de carga no Brasil?

Raras vezes analisamos os serviços logísticos sob o ponto de vista mercadológico. Com certeza poucos aplicaram o conceito de ciclo de vida de um produto aos serviços logísticos. Todos os bens ou serviços passam por um ciclo de vida, que se inicia com a introdução, passa pela fase de crescimento, chega à maturidade e termina com seu declínio.
Ao utilizarmos esse conceito e analisarmos o serviço de transporte sob esse prisma, chegamos a uma conclusão preocupante para o setor do transporte rodoviário de carga.
O transporte rodoviário de cargas viveu seu período de apogeu nas décadas de 60, 70 e 80, impulsionado pelos investimentos realizados na infra-estrutura de transportes, pela expansão da indústria automobilística, pelos baixos preços dos combustíveis derivados do petróleo e pelo crescimento econômico, alcançando margens de lucratividade hoje inimagináveis, beirando 20 a 25 %.
Entre meados da década de 80 e 90 a frota de caminhões aumentou em mais de 40%, acompanhando o crescimento da tonelada-quilômetro transportada, que foi de 45 %. Segundo o último senso realizado pelo IBGE em 2001, existiam cerca de 47.500 empresas de transporte rodoviário de carga, sendo apenas 9.598 delas com mais de 5 pessoas ocupadas. Podemos estimar que hoje existam mais de 60.000 empresas atuando no setor e 2 milhões de veículos oferecendo serviços de transportes de carga.
Na década de 90 vimos as margens de lucratividade caírem abruptamente, baixando para algo em torno de 10 a 15 %, e hoje assistimos à dificuldade de se atingir cifras ao redor de 10 %, estando a grande maioria das empresas ao redor dos 5 a 8 %.
A principal explicação para isso está no ciclo de vida dos produtos, aliado é claro a outros fatores como a carga tributária, problemas de infra-estrutura em transportes, má gestão administrativa e comercial e erros estratégicos. O transporte rodoviário de carga vive a sua fase final de maturidade. O mercado atingiu seu limite de crescimento; cerca de 85% encontra-se terceirizado e daqui para frente o crescimento desse mercado se limitará ao crescimento da economia brasileira, praticamente proporcional à taxa de crescimento do PIB nacional. Se você ganha mercado é porque alguém está perdendo!
Neste momento a oferta é superior à demanda por serviços e já não existem barreiras para a entrada de novos concorrentes. Novas empresas surgem diariamente.
Vocês estão percebendo o quanto está sendo difícil aumentar a suas vendas e mais ainda, manter a margem de lucratividade. O cliente cada vez mais decide em função do preço, transformando o produto em uma commodity.
Não se iluda se a sua empresa vive um excelente momento. Tudo é uma questão de tempo para que o seu modelo empresarial seja copiado pelos concorrentes. E não se iluda também com aumento contínuo das vendas, pois o importante é o aumento da lucratividade!
O que fazer então? Existem diversas saídas, e em qualquer uma delas será necessário um re-direcionamento estratégico da sua empresa, seja na ampliação do escopo de serviços, migrando para algo próximo ao de um operador logístico, seja na especialização e diferenciação extrema, atuando, exclusivamente, como uma empresa de transporte rodoviário de carga.

julho/2.004

Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
marcoantonio@tigerlog.com.br      www.tigerlog.com.br

 
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