“Comoditização” da Logística e os Novos Desafios para os Operadores Logísticos e Transportadoras

Nos últimos anos vivemos o processo de “comoditização” da atividade de transporte, levando à queda abrupta da lucratividade das empresas, em especial daquelas voltadas para o transporte rodoviário de cargas. Muitas não resistiram a essa nova realidade e sucumbiram diante dos novos desafios impostos. Outras aprenderam a conviver nesse ambiente hostil, e sobrevivem com grandes dificuldades. E outras, raros exemplos de eficiência tática e estratégica, aproveitaram-se desse momento dificílimo para diferenciar-se e tirar proveito da situação.
A migração para a atividade logística pareceu ser a alternativa mais lógica para muitas empresas pressionadas pela acirrada e irracional disputa no mercado de fretes. Muitas dessas empresas adotaram o conceito de Operador Logístico, adicionando novos serviços e capacidades ao seu portfólio. Muitas erraram e poucas acertaram. Outras, mais conservadoras, preferiram se especializar em determinados segmentos e serviços, reforçando a sua posição como transportadora. Poucas acertaram, e muitas continuam errando.
Agora, face à “comoditização” dos serviços logísticos, muitas empresas, em especial os Operadores Logísticos, se questionam sobre o futuro desse mercado. Viveremos situação semelhante à do setor de transportes?
A principal razão para esse processo está no número de empresas existentes no mercado brasileiro. Enquanto que nos EUA contamos com cerca de 5.000 empresas de logística e transportes disputando um mercado de mais de US$ 100 bilhões, no Brasil, apenas no transporte rodoviário de cargas encontramos mais de 70.000 empresas e nos últimos 10 anos este número aumentou em quase 300%, disputando um mercado de aproximadamente R$ 30 bilhões! O crescente número de empresas está relacionado à falta de regulamentação no setor e a outros fatores como a priorização dos investimentos governamentais no modal rodoviário, ao histórico de serviços e capacidade insuficiente dos outros modais, etc.
Seguramente ocorrerá no Brasil um processo de consolidação desse mercado, com a redução do número de empresas. Difícil é prever quando isso acontecerá e quando os primeiros resultados positivos aparecerão. Portanto, não contem com essa hipótese para os próximos anos. O melhor a fazer neste momento é procurar alinhar a história e os pontos fortes da sua empresa com as oportunidades existentes no mercado.
Existem inúmeras “janelas” de lucratividade no mercado, verdadeiras “minas de ouro”, porém, nem todas poderão ser exploradas pela sua empresa. Em alguns casos existirão barreiras legais, em outras, dificuldades relacionadas à infra-estrutura operacional e conhecimento técnico, e em outros, a pressão dos próprios concorrentes.
Notamos grande dificuldade dos empresários e executivos das empresas de logística e transportes em enxergar esses nichos de mercado potenciais. Muito disso em função do isolamento, decorrente da não participação em treinamentos e palestras, da não interação com outros profissionais e empresas, da não atualização em relação as melhores práticas de mercado, etc.
Outros reduzem essa importante questão a decisões simples e óbvias. Tenho ouvido constantemente de pessoas-chave do setor de logística e transportes que a “bola da vez” é o segmento químico. A indústria química é o maior setor da indústria de transformação brasileira. É área-chave para o desenvolvimento brasileiro, com vendas anuais próximas a US$ 60 bilhões (dado de 2004). Seus produtos participam de todos os segmentos da atividade industrial, notadamente na agroindústria (fertilizantes e defensivos agrícolas), na indústria de bens duráveis (automobilística, eletroeletrônica, metalúrgica) e em produtos de consumo (farmacêutica, alimentos, cosméticos, detergentes, tintas, têxtil, etc). Como podemos ver, a indústria química é bastante abrangente, e se não houver por parte das empresas de logística e transportes uma definição clara e precisa em aonde atuar e o que vender dentro desse gigantesco mercado, as chances de sucesso serão muito pequenas. Isso vale também para outros segmentos de mercado como alta tecnologia, eletroeletrônico, farmacêutico, etc.
E outros, por receio ou aversão ao risco, preferem não se aventurar em novos mercados. O medo poderá ser fatal!
Muitas são as alternativas, porém poucas levarão a sua empresa ao sucesso. A informação é o seu maior aliado. Busque conhecimento e procure se cercar de profissionais competentes, pois estes serão os principais insumos para a correta tomada de decisão. 

junho/2.005

Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Treinamento em Logística Ltda..
marcoantonio@tigerlog.com.br

www.tigerlog.com.br 


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